
Stefano Domenicali afirma que a expansão da Fórmula 1 nos Estados Unidos — três corridas no calendário, arquibancadas lotadas em todas elas e um lugar dentro da cultura pop americana que o esporte perseguiu por décadas — ainda é apenas o primeiro ato.
Em entrevista no Autosport Business Exchange, realizado no contexto do Grande Prêmio de Miami, o CEO da F1 reconheceu a dimensão da transformação americana da modalidade, mas deixou claro que a cúpula encara o quadro atual como um ponto de partida, não um destino final.
«Pensando bem, a F1 sempre esteve nos Estados Unidos, mas de forma aleatória em termos de presença», disse Domenicali. «E agora temos três corridas com público médio enorme.»
Essa terceira corrida — o Grande Prêmio de Las Vegas, somado ao calendário em 2023 — fechou uma corrida de seis anos que transformou os Estados Unidos, por muito tempo um mercado periférico para a Fórmula 1, em um dos territórios estratégicos mais importantes do esporte. Há oito anos, Austin reunia cerca de 60 mil pessoas no fim de semana. Hoje, o Circuit of the Americas, o Miami International Autodrome e o Las Vegas Strip Circuit atraem, cada um, várias vezes esse número.
Três corridas, e a fila aumenta
Domenicali confirmou o que já era um segredo aberto nos bastidores: há mais cidades americanas interessadas em entrar no calendário. «Três corridas, e existem muitos pedidos para que estejamos mais presentes nos Estados Unidos», disse.
A direção do esporte vem resistindo, até agora, à tentação de incluir uma quarta data, consciente de que a escassez também faz parte do que alimenta o entusiasmo americano. A abordagem comedida da Liberty Media — três corridas, cada uma com identidade própria — evitou o problema da saturação que outras grandes ligas norte-americanas enfrentaram ao se expandir para fora do país.
«Mas estamos apenas no início da nossa jornada nos Estados Unidos», continuou Domenicali. «Ainda não chegamos.»
Mudar uma cultura leva tempo
O outro fio condutor das palavras do chefe da F1 foi a paciência. A reabilitação cultural da Fórmula 1 nos Estados Unidos — de um esporte que a maioria dos fãs ocasionais associava a Indianápolis uma vez por ano, a um fenômeno pop com grids de celebridades e narrativas dignas de Netflix — exigiu quase uma década de esforço contínuo. Domenicali não disfarça: o trabalho está longe de terminar.
«Mudar uma cultura, ou fazê-la evoluir, leva tempo», afirmou. «Mas os Estados Unidos nos dão uma oportunidade de crescimento enorme. Somos pilotos — vamos fazer parte da cultura dos fãs americanos mais cedo do que se imagina.»
A temporada 2026 elevou ainda mais a aposta. A entrada da Cadillac como décima primeira equipe da F1 — primeiro construtor americano desde o Haas original de 1986 e, possivelmente, o primeiro realmente sério em termos comerciais em uma geração — dá ao campeonato um porta-bandeiras doméstico evidente para mobilizar o público local. Com três corridas, uma equipe americana e um CEO que não se cansa de repetir «isso é só o começo», a aposta da Fórmula 1 nos Estados Unidos está claramente longe de ser concluída.

